Caímos no conto da Carochinha

A visita de Jair Bolsonaro à Jerusalém se trata de uma ação com dupla intenção, a primeira é demonstrar apoio cego às políticas norte americanas no oriente médio e a segunda é a de cobrir com novas polêmicas os erros práticos do atual governo, lhes faltam tato e experiência política para que manobrem os congressistas ao seu favor e assim, para que a população não se revolte com o governo, que briguem entre si.

A política internacional, embora até hoje tenha sido subjugada no cenário nacional, é um dos elementos chave para o entendimento dos rumos futuros que o país tomará, Florestan Fernandes já apontava que devíamos produzir conhecimento a partir de nosso papel como país periférico do capitalismo global, como tal assumiu um papel de destaque durante os governos petistas, aglomerando em sua esfera de influência outros países e blindando o Brasil durante a crise global de 2008, tal qual a China.

Porém essa situação de blindagem e valorização não poderia ser suportada no contexto global por muito tempo, pois qualquer abalo na estrutura dominante poderia significar o avanço de uma nova força, uma hegemonia alternativa no cenário político-econômico.

Por anos o Brasil foi visto no contexto das relações internacionais como uma força conciliadora, apresentando poucas rupturas nesse entendimento, o que torna as ações que vimos mais incompreensíveis ainda para o cidadão médio brasileiro.

hamasO twitter manteve por um dia inteiro uma hashtag no topo dos seus assuntos mais comentados após o polêmico tweet de Flávio Bolsonaro em que desejava que o Hamas se explodisse.

A hashtag dizia “Hamas eu votei no Haddad” e aí é que a esquerda perdeu o discurso.

A associação direta do Hamas à uma organização terrorista é um dos maiores erros que poderíamos cometer nesse momento é dar a vitória do debate à direita, pois até os termos estão em disputa no atual contexto político nacional. O Brasil historicamente não considera o Hamas uma organização terrorista, mas sim um agrupamento político que se organiza nas eleições locais e que possuí legitimidade de ação e causa.

Ao fazer a piada do “Hamas eu votei no Haddad” os brasileiros de esquerda estão apropriando-se desse discurso islamofóbico que pretende a criminalização de todo e qualquer muçulmano apesar de sua conduta ética, política ou moral, baseando-se apenas em um aspecto religioso.

Vale a pena citar que muitas das pessoas que associam os atentados terroristas e os grupos paramilitares exclusivamente aos países árabes não tem o conhecimento de que essas foram as práticas realizadas por muitos sionistas para a consolidação do território israelense.

Assim ao reproduzirmos esses conceitos propagandeados pela grande mídia global (e eu não estou falando da Rede Globo de televisão, não apenas) estamos endossando o significado dado à ele por quem tem um grande interesse econômico na região, ou seja, os Estados Unidos da Trumpérica.

Sejamos melhores que isso, Brasil.

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